Ozônio tem lado bom ou ruim


Gás tóxico aumenta de concentração no verão

A maioria das pessoas não sabe, mas dependendo da localização do gás ozônio na atmosfera, ele pode ser muito tóxico para os seres vivos. Ao mesmo tempo, sua presença a cerca de 10 a 15 km de altura, na chamada baixa estratosfera, ajuda a filtrar os raios solares ultravioleta, causadores de queimaduras e danos diversos à pele.

Quando próximo ao chão, o ozônio pode gerar problemas de saúde como tosse, fadiga, diminuição da resistência a infecções e agravamento de doenças respiratórias. Nas plantas, ataca o equilíbrio ambiental do ecossistema, pois altera a sua composição bioquímica.

A formação do gás se dá a partir de uma reação fotoquímica natural, que ocorre na atmosfera quando são combinados alguns componentes, denominados "precursores". São eles: luz solar, alta temperatura, umidade, óxido de nitrogênio e orgânicos voláteis (emitidos com a queima de combustíveis fósseis).

De acordo com o Relatório da Qualidade do Ar 2005 publicado pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), a formação do ozônio e sua concentração é mais relacionada aos fatores climáticos do que à emissão de gases da queima de combustíveis. “Na primavera e verão temos mais chuvas, o que facilita a dispersão dos poluentes, mas ao mesmo tempo a luz e calor são mais intensos. Por isso, a concentração do gás aumenta nas estações mais quentes e não no inverno”, completa.

A gerente da Cetesb explica ainda que não há uma maneira para combater de forma eficaz a formação do ozônio em todo o mundo. “Uma maneira de fugir do poluente é não realizar atividades físicas entre as 11h da manhã e o final da tarde, pois é neste horário em que verificamos a maior concentração do gás”, recomenda ela. Ela também dá uma dica para minimizar a formação de ozônio. “Abastecendo o carro ao final do dia, evitamos que os orgânicos voláteis do combustível entrem em contato com os outros componentes precursores e gerem ozônio”, finaliza.

Concentração em queda

Em seu relatório, a Cetesb apresentou a análise das medições na Grande São Paulo e em algumas cidades do interior do estado. A companhia diz que a concentração de ozônio em 2005 esteve abaixo da média histórica dos anos anteriores. Ainda assim, o documento aponta que o nível de concentração de ozônio ultrapassou os níveis máximos recomendáveis em 51 dias, ou seja, 14% dos dias do ano.

A técnica do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Lisa Gunn, explica que a responsabilidade pela diminuição do poluente não é exclusiva da Cetesb. ”O consumidor tem sua parte de responsabilidade”,diz. Ela ressalta que o trabalho do instituto foca a educação das pessoas e procura relacionar o hábito de consumo da população aos problemas ambientais.

“Desde a década de 90 os consumidores se preocupam com o meio ambiente mas não relacionam o que consomem com a degradação”, revela Gunn. E objetiva “Nossa intenção é fomentar ações para educar as pessoas e assim conscientizá-las sobre os impactos que uma ação pode ter sobre sua vida cotidiana”.

Entre as ações do Idec estão parcerias com o Ministério da Educação (MEC) e Ministério do Meio Ambiente (MMA). De acordo com Gunn, cerca de 34 mil professores do ensino fundamental passaram por cursos de capacitação profissional com material editado pelo instituto. “Esse material é formado por cartilhas que estimulam o consumo sustentável e estão em nosso site para download”, conclui.

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